PERU: uma viagem à terra dos Incas - parte I 
Luiz Roque - professor, poeta e escritor 
Matéria escrita em outubro/1995 para o jornal "Nova Opção"

Quem chega a este país encontra uma população de 23 milhões de habitantes que, pelos dados de vinte anos atrás, tinha 4,5% de brancos e o restante, de mestiços. A capital, Lima, reúne hoje cerca de 7 milhões de habitantes.

Como surgiu isto? Antes dos incas, várias civilizações povoaram o Peru, conforme a época e a região: Chavín (anterior a Cristo), Huari, Mochica, Nazca, Chimu, Paracas.

Algumas foram simultâneas. No século XV, os incas (quêchuas no Peru e Aymaras na Bolívia) ocuparam todo o Ocidente da América do Sul, da Colômbia ao Chile e ao norte da Argentina.

Inca era o chefe e significava o filho do Sol. O levantamento arqueológico destas regiões mostra um povo, o quêchua, que não tinha escrita, mas que conhecia a Astronomia e a Aritmética, fazendo cálculos com fios, presos a um cordão central.

Todo o Império era irrigado e a terra perfeitamente distribuída: quando uma família tinha um filho homem, recebia 2800 m2 de terra cultivável e quando tinha uma filha mulher recebia a metade: 1400 m2 .

Os incas herdaram de culturas anteriores um deus supremo, Pachacámac, que seria o próprio sol, ou que a ele teria originado. Uma estátua de madeira desse deus ainda se encontra num pequeno museu, próximo a Cuzco, com os cortes feitos pela espada do conquistador Pizarro.

Havia, pelo menos, três classes sociais: a nobreza que cercava o inca; os sacerdotes; o povo (quêchua). Para as classes mais destacadas, ganhava importância outro deus supremo: Viracocha. Com menor importância, o povo adorava, como deuses, vários fenômenos da natureza, tal como outros povos antigos.

Os monumentos incas aos seus deuses são de pedra, que manejavam com a mesma habilidade de aymaras, astecas e egípcios.

O povo inca tinha três mandamentos básicos, que chegaram até nós: jamais ser: ladrão, mentiroso ou preguiçoso. Como entre eles não havia prisões, estes crimes eram punidos com a morte.

A lhama era divinizada e seu sangue era o intermediário entre os vivos e os mortos. A terra também o era e, por isso, o solo jamais podia ser totalmente coberto, mesmo nos recintos dos nobres e dos sacerdotes.

Como tudo caiu tão depressa? Agora, os mistérios da História: na tradição religiosa dos povos antigos da América, existia sempre a crença em determinados deuses que viriam.

De certa forma, esta é uma idéia de todas as épocas. Estes deuses, às vezes, eram concebidos como benfazejos ( A Serpente de Plumas entre os astecas ) e, às vezes, como violentos. De qualquer forma, eram sempre imprevisíveis e com poderes incomparáveis.

Surpreendentemente, os quêchuas acreditavam na vinda de um deus com barbas (eles não as tinham) e os aymaras conservam, até hoje, monolitos, em que o deus tem traços brancos e... tem barba. Como é que tais figuras podiam fazer parte do imaginário destes povos?

(continua)

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